#SwissGames ganha o Brasil

Por Lea Strohm*

A swissnex Brazil recebeu sua primeira delegação da #SwissGames em São Paulo durante a edição de 2017 do Brazilian Independent Games Festival – BIG Festival – o terceiro maior festival de indie-game no mundo e a porta de entrada para o mercado de games da América do Sul. Nos últimos dias de junho, desenvolvedores de jogos e especialistas em Realidade Virtual de todas as partes do mundo se encontraram para ver as novas criações brasileiras e internacionais.

A Suíça foi o país convidado do BIG Festival 2017. A swissnex Brazil trouxe dez desenvolvedores da área de games suíços e especialistas de realidade virtual durante uma semana para alavancar negócios, conhecer o ecossistema brasileiro e apresentar seus próprios trabalhos. Além da presença no BIG Festival, as trocas de conhecimento e informação aconteceram durante diversas atividades organizadas pela swissnex Brazil em colaboração com atores locais e instituições.

O mercado brasileiro de games, com 3.4 milhões de usuários, é o quarto maior no mundo, logo atrás dos EUA, Japão e China. O setor foi responsável por 1.6 bilhões de dólares de renda em 2016. Ao contrário da economia nacional, o setor de games digitais está explodindo e é previsto crescer até 7% em 2017, muito graças ao aumento do uso de “mobile games” (games para celular), jogados majoritariamente por mulheres em seus smartphones. Até o final do ano, o Brasil terá um smartphone por habitante e, desses 200 milhões de smartphones, aproximadamente 93% funcionarão com o sistema Android, o que faz o desenvolvimento de games para iOS (sistema do iPhone) ser menos relevante no país.

Um dos auges da semana aconteceu no evento “Gaming for All”, organizado pela Universidade Anhembi Morumbi, responsável pelo maior e mais antigo curso de design de games do Brasil. Durante a manhã, oficinas para os estudantes foram ministradas pelos membros da delegação suíça, seguidas de uma palestra de desenvolvedores e uma sessão de perguntas e respostas com os desenvolvedores locais e graduandos da área. O lado brasileiro demonstrou um grande interesse e entusiasmo, deixando claro que os desenvolvedores brasileiros e suíços compartilham preocupações comuns, como a dificuldade de entrar no mercado de trabalho ou a falta de acesso para o financiamento de empresas.

Seguindo o calendário, o evento “Swiss-Brazilian Pitching Night” encheu o auditório do Google Campus São Paulo. O evento foi uma forma divertida de apresentar os projetos suíços e brasileiros para a plateia. Um grupo de 100 pessoas assistiu enquanto os desenvolvedores se esforçavam para mostrar suas ideias em uma versão levemente modificada do formato japonês PechaKucha. As apresentações de dois estudantes do ensino médio da escola ETEC Pirituba, que possui curso de design de games em seu currículo, foram impressionantes.

Enquanto a “Pitching Night” no Campus São Paulo atraiu startups e uma audiência mais tecnológica, o BIG Festival, no Centro Cultural São Paulo, foi inundada por gamers! Um dos painéis de discussão teve como tema o setor suíço de games, que não ganha em tamanho, mas aumentou em fama nos últimos anos pelo seus games artísticos e de alta tecnologia. Um exemplo é o investimento da Disney em um centro de pesquisa em Zurique, que funciona em parceria com o Centro de Tecnologia de Games na ETH Zurique. Comparando o cenário brasileiro e suíço, Rafael Morgan, da AirConsole, resumiu um pouco do que ficou claro nos encontros e conversas durante a semana: “Desenvolvedores suíços e brasileiros provavelmente assistem aos mesmos tutoriais, então estão em um nível muito parecido”.

A delegação suíça contou também com Salar Shahna, CEO do Fórum Mundial de RV e palestrante principal no BIG. Durante sua estadia em São Paulo, Shahna repetidamente insistiu que realidade virtual precisa parar de se colocar como um acompanhamento em festivais de filmes e games, mas se tornar o protagonista, devido às muitas oportunidades que existem para tecnologias imersivas. Enquanto a fragment.in, uma spin-off da ECAL, mostrou como RV pode ser usada para criar instalações artísticas interativas, Salar também mencionou outros casos suíços de sucesso em realidade virtual como o Birdly, simulador de vôo que passou pelo escritório da swissnex no Rio de Janeiro em maio.

A primeira delegação #SwissGames no Brasil foi não somente uma forma de promover um encontro desses dois ecossistemas pela primeira vez, mas também trouxe para a mesa muitas oportunidades para os desenvolvedores suíços no Brasil. De um lado, o alto número de profissionais jovens muito bem formados saindo de universidades como a Anhembi Morumbi mostra o potencial para parcerias ou coproduções com desenvolvedores suíços. Do outro lado, o mercado de consumo brasileiro se tornará cada vez mais importante, como demonstrado no caso da Struckd, um plataforma de desenvolvimento de games de Zurique. O maior número de downloads da Struckd vem do Brasil, sem eles nunca terem feito nenhum esforço para lançar jogos no país, como Flurin e Silvan, cofundadores, explicaram. Além de entender de onde vem seu sucesso, a semana em São Paulo os permitiu criar contatos importantes para alavancar seu negócio no Brasil. Considerando muitas oportunidades, a swissnex espera receber mais delegações da Swiss Games ou de realidade virtual no futuro.

Um agradecimento especial a ProHelvetia e ao BIG Festival por todo o suporte que deram à delegação. E muito obrigada aos parceiros na Universidade Anhembi Morumbi e The Hive Brazil, assim como o suporte da ECAL.

*Lea Strohm foi Gerente Júnior de Projetos na swissnex Brazil

Mais fotos do evento na nossa página no Flickr.