Desexistir    

Exposição do artista brasileiro Flavio Cury, da Universidade de Artes de Zurique (ZHdK), explora conceitos de fronteiras e de desorientação. Exposta no lobby da swissnex Brazil até fevereiro de 2018.

Event Details

Location

swissnex Brazil – Rio de Janeiro

Date

August 05, 2017 - February 01, 2018

Cost

Free and Open

O artista plástico brasileiro Flavio Cury, da Universidade de Artes de Zurique (ZHdK), apresenta a instalação Desexistir, composta por duas projeções de vídeo e montagens de seu acervo pessoal de imagens.

No começo de 2017, um grupo de estudantes de mestrado de Fine Arts da ZHdK viajaram para a Grécia (Lesbos e Mytilene) e para o Líbano. O tema proposto para a viagem foi “Arte e Crise”. Como as “artes” podem reagir ou dar respostas a uma crise humanitária sem instrumentalizá-la? O grupo visitou os pontos principais de entrada de refugiados na Grécia e tiveram uma visão condensada das tensões políticas na região através de encontros com artistas, ativistas e autoridades oficiais como o cônsul suíço em Beirute.

A resposta do Flavio Cury para a viagem e para o programa é uma reflexão sobre o conceito da fronteiras como limites fictícios inventados pelo homem. Em seu trabalho, ele investigou a existência absurda de fronteiras no alto mar.

Inicialmente, sua ideia era focar na figura curiosa do coiote. Coiote é o nome dado aos atravessadores de pessoas entre as fronteiras, sejam elas do México e Estados Unidos, África e Europa, Turquia e Grécia. Porém, quem é esse indivíduo que incorpora dualidades, sendo ao mesmo tempo vítima e algoz? Quem é esse que, por força das circunstâncias, se posiciona no limite de todo julgamento moral, num não-lugar transitório, sem território nem lei?

Afinal, Flavio Cury decidiu não insistir na figura do coyote. Especialmente no contexto da violência urbana no Brazil e das fronteiras invisíveis que separam a sociedade, o artista preferiu deixar espaço para um espectro mais amplo. A cor do mar é vermelha, e por ser vermelha, há várias referências simbólicas.

Desexistir é um trabalho muito poético, mas não necessariamente tem que ser interpretado de uma forma política: também é uma refleção sobre atemporalidade, existência e jornada pessoal.

Giovanna Bragaglia, estudante da ZHdK e ex-curadora do Instituto Moreira Salles, escreve sobre “Desexistir”:

“Em uma das projeções, a cena mostra a singela ação de um braço que toca a água que corre contra um barco navegando a todo vapor. Enquanto isso, na outra projeção, as cenas são de águas abundantes, ora turbulentas, repletas de ondas e correntes, ora serenas, com brilhos que balançam pela superfície. Em nenhum momento há referências de tempo ou de lugar.

Para enfatizar o sentido de desorientação desejado pelo artista, a paisagem sonora que acompanha a instalação é criada a partir da síntese granular do prelúdio da Suíte para violoncelo solo nº 1 em Sol Maior, de Johann Sebastian Bach. A desarmonia da esquemática composição barroca rui-se em fragmentos que se formam por diferentes velocidades, volumes e tons, como as águas em constante movimento.”

A Confederação Suíça tem um longo histórico em ajuda humanitária: desde 2011, sua presença se intensificou exponencialmente, seja em forma de aporte financeiro, como logístico, em infraestrutura básica, em saúde, educação, entre outros.

Crises humanitárias, e sobretudo a consciência que hoje se tem delas, assume um caráter transnacional: sejam fluxos migratórios no Oriente Médio ou movimentos internos dentro de estados-nações, somos mais do que nunca atores decisivos para a construção de relações humanas e políticas mais justas e equilibradas.

Desexistir estará exposto a partir do dia 5 de agosto no Lobby da Casa da suíça, na Rua Cândido Mendes, 157 – na Glória.


The Brazilian artist Flavio Cury, from the Zurich University of the Arts, presents the installation Desexistir, composed by two video projections that show images from his personal collection.

At the beginning of 2017, a group of MFA (Master of Fine Arts) students from ZHdK travelled to Greece (Lesbos and Mytilene) and Lebanon. The proposed theme for the journey was “Art and Crisis”. How can “arts” react or give answers to a humanitarian crisis, without instrumentalizing it? The group visited the main refugee entry points in Greece; they gained a condensed view of the political tensions in the region, thanks to meetings with artists, activists, and government officials – such as the Swiss consul in Beirut.

Flavio Cury’s response to the journey and to the program is a reflection about the concept of borders as fictional limits, invented by men. In his work, he investigates the absurd existence of borders in the high sea.

Initially, the idea was to focus on a very curious figure, the “Coyote”. Coyote is the name given to the middleman for people crossing borders, in Mexico and the United States, Africa and Europe or Turkey and Greece. Who is this person which, by the force of circumstances, oscillates at the limits of all moral judgment, between villain and victim, in a transient non-place, without territory or law?

Finally, Flavio Cury decided not to insist on the figure of the Coyote. Especially in the context of the urban violence in Brazil and the invisible borders that separate society, the artist wanted to leave space for a wider spectrum of interpretation. The color of the sea is red, and for being red, it evoques several possible symbolic references. “Desexistir” is a very poetic work and doesn’t necessarily have to be interpreted in a political way: it is also a reflection about timelessness, existence and personal journey.

Giovanna Bragaglia, student of the Zurich University of Arts (ZHdK) and former Curator of the Moreira Salles Institute, writes about “Desesxistir”: “One of the projections shows the simple act of an arm which lightly touches the water that runs against a ship at full speed. Meanwhile, in the other projection, the scenes are of abundant waters, sometimes turbulent, filled with waves and currents, sometimes serene, with glints that sway on the surface. At no time, there are references of time or place.

To emphasize the sense of disorientation, the sound that accompanies the installation comes from the granular synthesis of the prelude of Suite no. 1 in Sol Maior, by Johann Sebastian Bach. The disharmony of the schematic baroque composition is rooted in the fragments which are formed by different speeds, volumes and tones, like the constantly moving waters.”

The Swiss Confederation has a long history of humanitarian help: since 2011, its presence was intensified exponentially, be it in the form of financial, logistical basic infrastructure, health and education, among others. Humanitarian crises – and, above all, the awareness of them – take on a transnational character. whether they are migratory flows in the Middle East or internal movements within nation states – we are more than ever decisive actors for the construction of more balanced and fairer human and political relations.

Desexistir will be exposed from 5th of August in the “Casa da Suíça” (Swiss house) Lobby, at Rua Cândido Mendes 157 – in Glória. 

 

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