Fernanda Maria Lonardoni, finalista do prêmio de doutorado 2015 da EPFL

Fernanda Maria Lonardoni realizou a maioria dos seus estudos no Brasil antes de decidir se candidatar a um PhD no prestigioso Instituto Federal suíço de Tecnologia de Lausanne (EPFL) com o suporte de Bolsas de Estudos de Excelência do Governo Suíço. Ela recebeu uma distinção especial do comitê de seleção da EPFL para a sua tese “Within the limits and opportunities of informal rental housing: Tenants and livelihood in Brazilian favelas”. swissnex Brazil conversou com Fernanda para conhecer mais sua trajetória e descobrir como ela conecta o Brasil e a Suíça.

 

1) Você pode se descrever brevemente?

Eu possuo graduação com um B.A. em Arquitetura e Planejamento Urbano e mestrado em Habitação e Cidade da Universidade Federal de Santa Catarina no Brasil. Meu interesse por uma carreira acadêmica apareceu cedo e eu trabalhei como assistente de pesquisa durante a maioria de meu tempo na faculdade. O PhD era minha última meta após me tornar Mestre em 2007 e a Suíça caracterizou-se como a melhor alternativa para corresponder a meus interesses profissionais e pessoais. Entretanto, eu não sabia que os invernos eram tão frios e longos.

Como profissional de habitação e conselheira política, trabalhei para UN-Habitat, a Organização Internacional do Trabalho e o Instituto do Banco Mundial (WBI). Atualmente, estou trabalhando com Habitação e no Ramo de Desenvolvimento de Favelas nos escritórios da UN-Habitat em Nairobi, e gerindo projetos de desenvolvimento relacionados à formulação e implementação de políticas para habitação. Assuntos relacionados à habitação de baixa renda, habitação disponível e sustentos urbanos formam o foco de meu recente trabalho.

2) Você poderia nos falar mais sobre sua pesquisa e as razões por que você escolheu esse assunto?

Como arquiteta e estudante de planejamento urbano, eu estive sempre intrigada pelas dimensões socioeconômicas de habitação e cidades. Assuntos relacionados à desigualdade, pobreza e exclusão, e pessoas que lutam todos os dias para achar um lugar para viver chamou minha atenção mais que design e tecnologias.

Eu tive sorte de trabalhar como pesquisadora numa rede de pesquisa nacional brasileira chamada INFOSOLO, junto com acadêmicos reconhecidos em todo o país, investigando como a população de baixa renda acessa a terra e a habitação nas metrópoles brasileiras. A exposição ao trabalho de campo e a realidade cotidiana de produção e consumo de habitação em favelas levantou mais perguntas em minha cabeça, as quais eu levei adiante para investigar no meu PhD.

Minha tese de PhD explorou as oportunidades e restrições de mercados de informais habitação para a população urbana de baixa renda. Sim! Embora a maioria pense que as pessoas que vivem em habitações informais – ou favelas como elas são popularmente chamadas no Brasil – simplesmente ocuparam e construíram suas próprias casas há um mercado ativo com pessoas comprando, construindo, vendendo e alugando porções de terrenos e casas. Minha pesquisa teve foco em uma tendência crescente observada nas favelas brasileiras: a habitação por aluguel. Eu pesquisei o modo de viver de inquilinos para entender como eles escolheram o local onde vivem, como eles são escolhidos pelos proprietários, onde eles trabalham, estudam e como ser um inquilino estava ajuda ou interfere nos seus sustentos.

A conhecimento que adquiri em circuitos de habitação de baixa renda como também em assuntos socioeconômicos e de desenvolvimento relacionados à habitação e cidades conduziram minha carreira profissional e oportunidades. E eu me sinto afortunada!

3) Porque a Suíça?

Realizar o PhD na Suíça foi uma vantagem em termos de recursos e acesso à informação. Eu aproveitei todas as oportunidades disponíveis para conectar e trocar conhecimento com outros acadêmicos, universidades e organizações.

Os problemas de habitação na Suíça estão longe daqueles observados no Brasil e eu fui frequentemente confrontada com a seguinte pergunta: “Por que você está estudando favelas na Suíça?” Eu tenho que admitir que não escolhi a Suíça por causa do conhecimento existente o de ponta neste tema. Minha trajetória, como mencionei acima, foi definida por uma combinação de interesses profissionais e pessoais. Uma vez na EPFL, tentei aproveitar o máximo e o prêmio é uma prova que eu o fiz. O que realmente me ajudou foi trabalhar com um assunto pelo qual eu estava apaixonada.

4) O que você gostaria de dizer aos brasileiros que têm interesse para em estudar na Suíça?

O que eu gostaria de dizer aos estudantes que vêm para a Suíça é o mesmo que digo para todos os estudantes que buscam um PhD ou um período no exterior. Seu mundo cresce e suas oportunidades crescem junto com isto.

Enquanto interesses de pesquisa e necessidades diferem, como também as circunstâncias que levam os estudantes e acadêmicos a escolher onde conduzir seus trabalhos, há muito o que nós brasileiros podemos aproveitar com as oportunidades que as universidades da Suíça oferecem, sobretudo por elas serem altamente conectadas com o resto do mundo. Definitivamente há mais recursos disponíveis para aprender idiomas novos, participar em congressos, seminários, conferências e viagens de estudo o que pode abrir portas e definir o curso e trajetória da vida profissional futura.

No inicio, eu pensava que o passo seguinte após concluir o PhD seria atuar como professora. Atualmente, me encontro na África, trabalhando para as Nações Unidas e viajando pelo mundo com o objetivo de ajudar países para a melhorar o acesso à habitação adequada para todos. Meu mundo continua crescendo.

 

Muito obrigado à Fernanda Maria Lonardoni por compartilhar sua história!

 

Saiba mais no artigo da EPFL