O custo global do lixo eletrônico: experiências do Brasil e Suíça

Tendências globais de mercado e novos hábitos de consumo pressionam o lançamento contínuo de novos aparelhos eletrônicos. Aparelhos com pouco tempo de uso, muitas vezes em boas condições, são trocados por novos. Além disso, uma estratégia das empresas conhecida como “obsolescência programada” reduz a vida útil de produtos, ampliando um problema de escala global de alto impacto para o meio ambiente: o lixo eletrônico.

O evento O custo global do lixo eletrônico: experiências do Brasil e Suíça reuniu representantes de diversos setores, permitindo uma abordagem rica e diversa sobre o tema. A swissnex Brazil proporcionou ao público presente uma troca de ideias que incluiu desde representantes de governo responsáveis pela implementação de políticas públicas, iniciativa privada e empreendedores até a experiência de catadores de resíduos, que observam no dia-a-dia das ruas a relação entre os cidadãos e o lixo que produzem nos espaços urbanos. E esta é uma perspectiva importante, já que os catadores são responsáveis por 95% de tudo que o Brasil recicla, transitando pelas cidades com suas carroças.

Dias antes do evento, uma carroça especialmente personalizada pelo projeto Pimp my carroça foi posicionada na Unibes Cultural para coletar resíduos recicláveis dos participantes do evento e do público em geral.

A Suíça está entre os países mais eficientes em reciclagem. A Dr. ª Karine Siegwart, vice-diretora do Federal Office for the Environment da Suíça (FOEN), compartilhou experiências do trabalho na Suíça e de pesquisas no Brasil. Para enriquecer a conversa, Everton Menezes Costa, catador de resíduos do Cataki “Pimp my carroça”, Caio Miranda, da TechTrash, uma startup do Rio de Janeiro que oferece soluções personalizadas de Logística Reversa para a gestão de resíduos eletrônicos; e Tereza Cristina Carvalho, pesquisadora do CEDIR/USP (Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática).

O evento aconteceu no dia 9 de agosto de 2018, na Unibes Cultural, em São Paulo.

Convidados:

Karine Siegwart, Escritório Federal do Meio Ambiente da Suíça
Karine é vice-diretora do Escritório Federal do Meio Ambiente e dirige a Divisão de Hidrologia, a Divisão de Resíduos e Recursos, a Divisão de Economia e Inovação e a Seção de Monitoramento Ambiental. Formada em Direito pela Universidade de Freiburg, com PhD sobre “Os cantões e a política europeia federal”. É Mestre em Direito Europeu pelo Instituto Europeu da Universidade do Saarland (Alemanha) e após períodos como pesquisadora sênior na Universidade de Zurique, EUA e Brasil, entrou na Administração Federal, em 2003, no setor de Questões de política europeia (atualmente Directorate for European Affairs, DEA). Em 2007, integrou a Secretaria Federal para o Meio Ambiente, responsável pela Seção Europa, Comércio e Desenvolvimento para Cooperação. É palestrante na ETH Zürich, responsável por um curso sobre processos de mediação e planejamento ambiental.

 

Tereza Cristina Melo de Brito Carvalho, fundadora do Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática da USP
Professora associada da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), professora visitante na Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne e Doutora em Redes de Computadores pela Escola Politécnica. É fundadora e diretora geral do LASSU (Laboratório de Sustentabilidade em TI) e co-fundadora e pesquisadora principal do LARC (Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores). Foi fundadora e coordena o Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática da USP e recebeu diversos prêmios referentes à Inovação Tecnológica e Sustentabilidade.

 


Caio Miranda
, CEO da startup TechTrash
Caio Miranda é geógrafo de formação pela UFRJ, pós-graduado em Meio Ambiente pela Coppe/UFRJ e Mestrando em Sistemas de Gestão pela Escola de Engenharia da UFF. Empreendedor focado em negócios sustentáveis e CEO da Tech Trash, recentemente aportado pela Aceleradora Sai do Papel e aceito no programa Inovativa Brasil. A Tech Trash é uma startup pioneira no Rio de Janeiro, que oferece soluções personalizadas de Logística Reversa para a gestão de lixo eletrônico de empresas e pessoas.

 


Everton Menezes Costa
, catador do Pimp my carroça
Pimp My Carroça é um movimento que atua desde 2012 para tirar os catadores de materiais recicláveis da invisibilidade e aumentar sua renda por meio da arte, sensibilização, engajamento e participação coletiva. Mais de dois mil catadores já foram atendidos, mobilizando grafiteiros e voluntários, através de mutirões de pintura e pequenos reparos. As ações do projeto já foram replicadas em 13 países. Em 2017, o Pimp My Carroça lançou o Cataki, aplicativo que orienta a destinação correta de resíduos.

 


Flávio de Miranda Ribeiro
, engenheiro mecânico com especialização em Gestão e Tecnologias Ambientais (USP), Mestrado em Energia (USP) e Doutorado em Ciências Ambientais (USP). Integra o Departamento de Assuntos Internacionais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). É  membro do Grupo de Especialistas em Consumo e Produção Sustentáveis do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), pesquisador do Grupo de Prevenção à Poluição – GP2 (Escola Politécnica -USP) e do Programa de Gestão Estratégica Socioambiental – PROGESA (FIA).

 


Mediação: Carlos Roberto Vieira da Silva Filho
, Diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Vice-presidente da International Solid Waste Association (ISWA), advogado, pós-graduado em Direito Administrativo e Econômico pela Universidade Mackenzie e autor do livro Resíduos Sólidos: o que diz a lei.